quarta-feira, 1 de abril de 2015

O problema das árvores em Natal/RN



O problema das árvores em Natal/RN



A natureza tem suas estratégias de enviar mensagens e sinais, basta saber observar e interpreta-los. Há uma mensagem transmitida pelas arvores em Natal. À medida que as arvores vão caindo, afloram os problemas enterrados, ao longo dos anos. Arvores que vão dando os indicativos dos problemas enterrados e não solucionados, ao longo dos longos anos passados, problemas enraizados. Árvores antigas, já classificadas como centenárias, e com problemas crônicos em seus troncos, raízes e solos. É tempo de renovação.

Em data recente uma árvore caiu e obstruiu uma das pistas da artéria principal de Natal. Atingiu alguns poucos carros, sem vítimas fatais, apenas materiais. E a queda da árvore aconteceu em um dia de céu claro, um dia sem chuvas. Em uma época de chuvas, no período denominado como inverno. Em dias com chuvas intensas a apreensão e o nervosismo. O risco de quedas de arvores centenárias se torna maior. O problema torna-se agudo.

Com árvores caídas, automaticamente surgem os reflexos no transito urbano. Transtornos na cidade e desespero dos motoristas. Quando se fala em motoristas, é uma referencia direta aos proprietários de automóveis, aqueles conduzem seus próprios veículos, e que deixam mais pegadas ecológicas, pelos seus caminhos. Nada se fala sobre aqueles que utilizam o transporte coletivo, proporcionando pegadas ecológicas menos agressivas ao meio ambiente. O dano relatado no noticiário, como maior destaque, é aplicado aos que possuem carros, aos muitos motoristas solitários. 

Os serviços públicos municipais, já vinham anunciando e procurando soluções para o problema das árvores. Os riscos eminentes das árvores. Árvores que são minimamente centenárias, que já estavam radicadas em seus locais antes da cidade ali chegar. Com a presença urbana da cidade, em volta das árvores, elas se tornam problemas e obstáculos. Ameaçam a vida daqueles que tomaram seu espaço, e abalaram suas raízes, cobriram de carros e de asfalto as suas sombras. Aqueles que provocam solavancos no terreno diariamente.

E a maneira como os profissionais responsáveis, pela segurança e paisagismo, da cidade, o modo que olham para o problema das arvores, é a mesmo que olham para outros problemas. A solução dada para o problema das árvores também é a mesma como todo outro problema urbano. Uma árvore é avaliada como um problema. E um problema é avaliado como uma arvore no caminho. Algo que impede uma passagem e é um risco á população e a administração publica. Dão como solução de podar ou arrancar as árvores e os problemas. Para diminuir os riscos de uma suposta queda. Não há um discurso em olhar as raízes das árvores e dos problemas, não há sequer um discurso em analisar o solo e o espaço onde estão plantadas, as árvores e os problemas.  Não há um discurso de descupinizaçao, daquilo que afetou a arvore da vida da cidade. 

Árvores que estão espremidas em canteiros centrais das avenidas. Tão quanto o pedestre fica espremido ao atravessar vias avenidas com duas ou mais pistas. A mercê dos balanços do solo, e dos deslocamentos de ar provocados pelos veículos que passam zunindo.

Não há um discurso de trocar árvores corroídas pelo tempo, trocar por novas árvores que possam dar bons frutos e boa sombra. Plantar novas sementes, trazer novas mudas, ainda que sejam novos enxertos. Preparar e adubar solos. Como não há este mesmo olhar para os problemas urbanos. Só há um olhar: para a copa das arvores e dos problemas, e a solução de sempre é podar e cortar. Só se olha para o que esta a vista dos olhos, não se observa as raízes dos problemas, aquilo que está escondido por baixo da terra. Com o tempo raízes e problemas vem a tona.

O Morro de Mãe Luiza deslizou porque não havia árvores para segurar seu solo, não haviam emaranhados, raízes entrelaçadas, que segurassem o solo. O morro desceu e deixou um rastro de famílias desembaraçadas de suas raízes. Por fim as águas das chuvas proporcionaram um arrasto ao que vinha para ajudar. A força da natureza foi maior que a força que restava aquele herói, que facilitava a drenagem pluvial. Só resta agora fazer uma homenagem. Dar seu nome à rua que a natureza abriu em direção ao mar.

Em 1º de Abril – Natal/RN

Roberto Cardoso
Reiki Master & Karuna Reiki Master
Desenvolvedor de Komunikologia.



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Texto publicado em:


Roberto Cardoso (Maracajá)
Desenvolvedor de Komunikologia.
Reiki Master & Karuna Reiki Master CMEC/FUNCARTE
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